domingo, 22 de maio de 2016



Amor e esperança: dois sentimentos inseparáveis
Profº  Me. Carlos Alexandre[1]

O dia surge com o raiar do sol. Logo vem a esperança de cada ser humano, alguns agradecem por ter conseguido visualizar o brilho de mais um amanhecer, outros lamentam por ainda viver. O fato é: nunca estaremos compartilhando da mesma energia astral.
Não sei o motivo de isso acontecer, mas sei que aquela mulher, residindo no mais longínquo lugar, Dona Rose, sempre traz consigo a esperança de o dia de hoje ser muito melhor que o de ontem. Onde ela busca esta energia? Por que ela nunca está do lado contrário?
Acredito que deve haver algum mistério rondando a vida dessa jovem mulher, o que será? Diante dessa interrogação, comecei a observar essa criatura com mais frequência e aproximação. Assim, fui descobrindo que cada ser humano busca acreditar em uma esperança capaz de tornar-se real ou não, mas mesmo assim não desacredita no amanhã.
A senhora, olhos claros, pele branca e cabelos pretos, traz consigo a marca de uma vida estigmatizada pela força da ideologia machista, personificada na pessoa do seu esposo, um homem de olhos e cabelos pretos, estatura mediana, pele parda e não possuidor de um físico saudável. Desde que se casou, aos 14 anos de idade, não sabe ou nunca presenciou uma palavra de afeto/carinho do seu companheiro. Como pode um ser sobreviver a tal situação?
Esse questionamento é feito, caro leitor, para que possamos pensar, mas continuo sem saber o motivo para tão honroso respeito e cuidado que a renegada atribui ao seu homem.
Quando começo a analisar, logo percebo que o comportamento da refém deve-se, uma parte, à sua criação, pois sempre foi admirada por seus irmãos e pais. A criação reflete na construção do sujeito adulto. A outra parte está atrelada ao imaginário social perpetuado no seio da sociedade quando as mulheres são desacompanhadas dos seus esposos. Elas tornam-se vulneráveis ao famoso pensamento “separou-se para vadiar com outros homens”.
Será mesmo que as Roses existentes neste vasto mundo compartilham desta ação? É fácil, leitor, apontarmos o indicador na direção de qualquer ser, mas é muito difícil buscarmos o real motivo de uma separação. É por isso que continuaremos ver Roses sendo machucadas, assassinadas e em muitos casos silenciadas por não terem forças para enfrentar a voz de uma sociedade hipócrita.
Nesse sentido, a energia emanada do olhar, sorriso e atenção da Dona Rose advém da esperança de um dia poder ouvir do seu grande e único amor, um obrigado ou até mesmo um perdão. Ela estará pronta para perdoá-lo, porque o amor é o laço mais forte que os une. Ah, como é bom amar! Mas amar exige retorno, ser amado também.
Será que diante da arrogância, do machismo não deve existir um pequeno afeto? Pode não ser visível, porque homem não ama. Homem trabalha para manter a sobrevivência do clã.
É, nobre, leitor, enquanto alguns demonstram o seu amor, mesmo se submetendo às situações constrangedoras, outros preferem esconder esse sentimento. Sejamos como a Rose, exalando esse perfume de esperança por dias melhores, esperando a Rosa se abrir, enfeitando o dia de cada ser que busca viver, independente da situação, um amor viniciano.


[1] Carlos Alexandre Nascimento Aragão é professor de Língua Portuguesa na Rede Estadual de Sergipe. Graduado em Letras Português/Inglês (UNIT) e Mestrado em Letras (UFS). Além disso, possui especialização na área de Letras e na educação a distância. Professor Tutor II da Universidade Tiradentes e trabalha com pesquisa na área de Língua Portuguesa com ênfase em Análise do Discurso. Membro efetivo da Academia Literária do Amplo Sertão Sergipano (ALAS) cadeira de nº 28.

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