Amor e esperança:
dois sentimentos inseparáveis
Profº Me.
Carlos Alexandre[1]
O dia surge com o raiar do sol.
Logo vem a esperança de cada ser humano, alguns agradecem por ter conseguido
visualizar o brilho de mais um amanhecer, outros lamentam por ainda viver. O
fato é: nunca estaremos compartilhando da mesma energia astral.
Não sei o motivo de isso
acontecer, mas sei que aquela mulher, residindo no mais longínquo lugar, Dona
Rose, sempre traz consigo a esperança de o dia de hoje ser muito melhor que o
de ontem. Onde ela busca esta energia? Por que ela nunca está do lado
contrário?
Acredito que deve haver algum
mistério rondando a vida dessa jovem mulher, o que será? Diante dessa
interrogação, comecei a observar essa criatura com mais frequência e
aproximação. Assim, fui descobrindo que cada ser humano busca acreditar em uma
esperança capaz de tornar-se real ou não, mas mesmo assim não desacredita no
amanhã.
A senhora, olhos claros, pele
branca e cabelos pretos, traz consigo a marca de uma vida estigmatizada pela
força da ideologia machista, personificada na pessoa do seu esposo, um homem de
olhos e cabelos pretos, estatura mediana, pele parda e não possuidor de um
físico saudável. Desde que se casou, aos 14 anos de idade, não sabe ou nunca
presenciou uma palavra de afeto/carinho do seu companheiro. Como pode um ser
sobreviver a tal situação?
Esse questionamento é feito, caro
leitor, para que possamos pensar, mas continuo sem saber o motivo para tão
honroso respeito e cuidado que a renegada atribui ao seu homem.
Quando começo a analisar, logo
percebo que o comportamento da refém deve-se, uma parte, à sua criação, pois
sempre foi admirada por seus irmãos e pais. A criação reflete na construção do
sujeito adulto. A outra parte está atrelada ao imaginário social perpetuado no
seio da sociedade quando as mulheres são desacompanhadas dos seus esposos. Elas
tornam-se vulneráveis ao famoso pensamento “separou-se para vadiar com outros
homens”.
Será mesmo que as Roses
existentes neste vasto mundo compartilham desta ação? É fácil, leitor,
apontarmos o indicador na direção de qualquer ser, mas é muito difícil
buscarmos o real motivo de uma separação. É por isso que continuaremos ver
Roses sendo machucadas, assassinadas e em muitos casos silenciadas por não
terem forças para enfrentar a voz de uma sociedade hipócrita.
Nesse sentido, a energia emanada
do olhar, sorriso e atenção da Dona Rose advém da esperança de um dia poder
ouvir do seu grande e único amor, um obrigado ou até mesmo um perdão. Ela
estará pronta para perdoá-lo, porque o amor é o laço mais forte que os une. Ah,
como é bom amar! Mas amar exige retorno, ser amado também.
Será que diante da arrogância, do
machismo não deve existir um pequeno afeto? Pode não ser visível, porque homem
não ama. Homem trabalha para manter a sobrevivência do clã.
É, nobre, leitor, enquanto alguns
demonstram o seu amor, mesmo se submetendo às situações constrangedoras, outros
preferem esconder esse sentimento. Sejamos como a Rose, exalando esse perfume
de esperança por dias melhores, esperando a Rosa se abrir, enfeitando o dia de
cada ser que busca viver, independente da situação, um amor viniciano.
[1]
Carlos Alexandre Nascimento Aragão é professor de Língua Portuguesa na Rede
Estadual de Sergipe. Graduado em Letras Português/Inglês (UNIT) e Mestrado em
Letras (UFS). Além disso, possui especialização na área de Letras e na educação
a distância. Professor Tutor II da Universidade Tiradentes e trabalha com
pesquisa na área de Língua Portuguesa com ênfase em Análise do Discurso. Membro
efetivo da Academia Literária do Amplo Sertão Sergipano (ALAS) cadeira de nº
28.
Texto lindo e de uma profundidade singular.
ResponderExcluirPrecisamos refletir sobre a nossa realidade, amiga. Obrigado por ter lido!
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